Política Partidária

A TINTA VERMELHA

(Discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street)

Slavoj Žižek visitou a Liberty Plaza, em Nova Iorque, para falar ao acampamento de manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que vem protestando contra a crise financeira e o poder econômico norte-americano desde o início de setembro deste ano.

O filósofo nos enviou a íntegra de seu discurso para publicarmos em nosso Blog, que segue abaixo em tradução de Rogério Bettoni. Caso deseje ler a versão original em inglês, está disponível no site da Verso Books (assim como outros comentários de filósofos e cientistas sociais sobre o movimento Occupy Wall Street).

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Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Para aqueles que se interessaram pelo conteúdo do discurso, recomendamos a leitura de Primeiro como tragédia, depois como farsa (Boitempo, 2011), livro no qual Žižek discute a crise financeira de 2008 e a hipótese do comunismo em nossos dias atuais. O livro já está à venda em versão eBook na Livraria Cultura e na Gato Sabido. Confira outros títulos disponíveis no formato em nossa página de eBooks.

Curiosidade: a camiseta vermelha que Žižek usa durante seu discurso foi um presente da Boitempo ao filósofo, durante sua última passagem pelo Brasil em maio deste ano. Ela estampa a caricatura de Karl Marx e Friedrich Engels feita por Cássio Loredano para a capa de A ideologia alemã.

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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009) e os mais recentes Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, depois como farsa(ambos de 2011). Colabora com o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas-feiras.

Publicado em 11/10/2011

Link: http://blogdaboitempo.com.br/2011/10/11/a-tinta-vermelha-discurso-de-slavoj-zizek-aos-manifestantes-do-movimento-occupy-wall-street/


A HERANÇA MALDITA

A reeleição foi a verdadeira herança maldita da Era FHC, saboreada, no entanto, pelos sucessores como bendita e definitiva.

Desde então, nos três âmbitos em que se aplica – prefeituras, governos estaduais e presidência da república -, condiciona praticamente todos os atos de governança.

A síntese pode ser reducionista, mas é real: o primeiro mandato faz caixa para o segundo e este consiste em pagar o resto da conta e preparar a sucessão para um aliado.

Uma tragédia político-administrativa: em vez dos “50 anos em 5”, de Juscelino Kubitschek, temos algo como oito anos em um – é o tempo de relativa autonomia, sem condicionantes eleitorais, em que se pode ousar alguma coisa.

Dilma teve a infelicidade de, nesse período, ver-se obrigada a demitir, por denúncias de corrupção, nada menos que seis ministros. Lula lamentou, na ocasião, que estivesse sendo pautada pela mídia, mas esta apenas registrou fatos – e estes se encarregaram de impor seus primeiros atos.

O resultado é que a máquina do Estado, não habituada a trabalhar sob padrões estritamente técnicos, parou; licitações foram suspensas e a agenda de obras não foi cumprida. Dilma tornou-se mais refém ainda de sua base.

Passado esse período em que, em tese, poderia ser mais independente, começaram as articulações internas na base governista com vistas à sucessão. Nessa circunstância, o presidente (prefeito ou governador) age tendo em vista sua recondução. Eis então que o fisiologismo se exacerba.

A base se divide – ou forja uma divisão, o que dá no mesmo -, em face da sucessão. No caso presente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, avisa que será candidato contra Dilma, provocando reações no aliado PT.

Campos pode não ser um candidato nacionalmente competitivo, mas faz um estrago na principal base eleitoral do lulismo, o Nordeste, que garantiu a eleição de Dilma.

A oposição, tão silenciosa em momentos mais graves, reage aderindo à pauta do governo, e lança seu candidato, o senador Aécio Neves, do PSDB. A independente Marina Silva, ex-ministra de Lula, funda um partido, a Rede, com o objetivo de se lançar candidata. Programas e doutrina são detalhes que não convém tratar agora – ou mesmo nunca. Generalidades são mais eficazes.

Lula, o presidente-adjunto (segundo FHC), percorre o país em plena campanha sucessória. Oficialmente, joga a favor de Dilma, a quem chamou há dias de “poste” – e de cujo governo se proclamou “articulador político” -, mas já advertiu que, se as circunstâncias o impuserem, não hesitará em atendê-las.

Leia-se: se a economia naufragar e Dilma perder as condições objetivas de reeleição, ele voltará a candidatar-se. De palanque, ele entende; de economia, não. Nesses termos, pouco importa que a máquina do Estado esteja parada. O importante é ocupar espaços, encenar um movimento.

O resultado, até aqui, é que a economia cresceu apenas 0,9% em 2012. É o pior desempenho desde 2009 (que já não foi grande coisa), segundo dados do IBGE, ontem divulgados.

Em 2011, ano da posse de Dilma, o PIB havia crescido 2,7%. Já no último trimestre do ano passado, crescera apenas 0,6% frente ao terceiro e 1,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso apesar de juros nos menores patamares históricos, crédito abundante e desoneração de tributos.

O senador Aloysio Ferreira (PSDB-SP) diz que o governo do PT está liquidando a herança bendita de FHC, a estabilidade econômica. É possível, mas a maldita, a reeleição, continua em alta.

A reforma política, que poderia bani-la, tornou-se tão vaga e etérea quanto as sílfides de Bourguereau – ou como as propostas de Marina Silva.

De concreto, aguarda-se a previsão de Joaquim Barbosa de que as sentenças do Mensalão serão cumpridas a partir de julho.

Fonte : http://www.blogdorogerioneiva.com/2013/03/a-heranca-maldita.html

(Internet – E-mail – RuyFabiano, Blog do Noblat – Posted 21 hours ago by Rogério Neiva)


DOR TODO MUNDO TEM

Está escrito na Bíblia que “quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme.” (Provérbios 29:2)

A dor é algo extremamente incômoda, mas é um sinal que serve para alertar que há algo errado no corpo. Já imaginou se não existisse a dor? Teríamos um problema no corpo e morreríamos, pois não iríamos nos tratar. Sentir dor foi à forma que Deus inventou pra dizer: ei, meu filho, precisa se cuidar. Mas uma coisa é fato: a dor é sinal de problemas.

Deixando de lado o corpo humano, pois não sou especialista em saúde, e indo para o campo da política, a dor de um povo é sinal também de que algo está ruim, de que a sociedade está em desarmonia e que há um sério problema.

Não é de ontem e nem de hoje, mas de muito tempo, que o povo sofre na mão de um punhado de gente – gente que está interessada em seus interesses particulares. Sempre foi assim, tenha sido nos governos absolutistas ou (dito) democráticos. Quem encabeça toda esta miséria? O Estado. Marx sabiamente escreveu que “o Estado nada mais é do que um comitê constituído para gerir os interesses da burguesia”, logo, sendo assim, Mészáros está correto quando afirma que “o Estado não pode ser autônomo, em nenhum sentido, em relação ao sistema do capital…”. A miséria e a dor do povo é regra para o sistema.

No entanto estamos longe do fenecimento do Estado – e talvez eu morra sem ver – o problema é que ainda existem pessoas que estão à serviço de um estado mais injusto possível, para que possa fortalecer seus desejos privados e fortalecer o nome da família e de seu patrimônio. Acontece em Conceição do Coité, cidade sucateada há 40 anos por uma família e que, no mais clássico modelo de absolutismo – e contra todos os mais nobres princípios da moralidade e impessoalidade – doa (o prefeito doa) um hospital municipal para uma entidade (o prefeito doa para a sua esposa). Anos se passaram, a família domina tudo na cidade e hoje, inconformada com a municipalização do hospital, travam uma briga na justiça onde só há um perdedor: o povo.

Para esta tal família, manter um hospital fechado – e travando (no sentido também de parar, enrolar, dificultar) uma briga judicial – é muito cômodo, afinal de contas, a família é rica, membro da família é político e dinheiro, acumulado há vários anos, é o que não falta para pagar bons e caros planos de saúde. Esta família são os ímpios que governaram e fizeram o povo gemer de dor. Esta família ainda, sem governar na cidade, mantém o povo gemendo.

A vida é tão irônica que, numa audiência para tratar do hospital, da saúde, a advogada deles não comparece e dá um atestado odontológico. Uns dizem que foi dor de dente, mas ninguém sabe – pode ter sido revisão no aparelho ortodôntico, afinal de contas, manter o sorriso bonito é importante para o exercício da advocacia. A sorte é que ela teve dor de dente, pois se fosse outro problema mais sério e ela estivesse em Coité, iria dar de cara com as portas do hospital que o cliente dela quer manter fechado.

O fato é que dor todo mundo tem. Acontece o caso de umas dores surgirem por falta de higiene bucal e outras por causa de político mesquinho e diabólico que a única relação e preocupação com o povo é para garantir seus próprios interesses.

E não é de se espantar que esta família em Coité não concorde com a municipalização do hospital. Lógico: eles não se conformam nem com a municipalização da prefeitura.

(Wagner Francesco / Facebook / quarta-feira, 8 de maio de 2013)


O PT DO BRASIL

Existe uma reflexão da BBC de Londres que trata da história da trajetória da economia brasileira, que diz de forma resumida: OBrasil de hoje, em termos de desenvolvimento econômico, tem a contribuição de todos os governos e não somente do governo Lula (como o PT tanto gosta de apregoar). Claro, as questões econômicas não se resolvem de uma noite pra um dia, de um governo para o outro, elas são construídas com a passar tempo. É uma história.

Olha só isso:

1985 – O PT é contra a eleição de Tancredo Neves e expulsa os deputados que votaram nele;
1988 –O PT vota contra a nova Constituição que mudou o rumo do Brasil;
1989 – O PT defende o não pagamento da dívida brasileira, o que transformaria o Brasil num caloteiro mundial;
1993 – O presidente Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo de coalizão pelo bem do país. O PT foi contra e não participou;
1994 – O PT vota contra o Plano Real e diz que a medida é eleitoreira;
1996 -PT vota contra a reeleição. Hoje defende a mesma.
1998 – O PT vota contra a privatização da telefonia, medida que hoje nos permite ter acesso a Internet e a mais de 150 milhões de linhas telefônicas;
1999 – O PT vota contra a adoção do câmbio flutuante;
1999 – O PT vota contra a adoção das metas de inflação;
2000 – O PT luta ferozmente contra a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadarem, ou seja, o certo que não era feito no Brasil;
2001 – O PT vota contra a criação dos programas sociais do Governo FHC: Bolsa Escola, Vale alimentação, Vale gás, Peti e outras bolsas são classificadas como esmolas eleitoreiras e insuficientes;

Nota-se que quase toda estrutura socioeconômica do Brasil foi construída no período listado acima. O PT foi contra tudo e contra todos. O Povão nem percebe isso.

Em 10 anos de governo, o PT que disse ser o exemplo de moralidade administrativa do país, sequer promoveu uma única reforma política, social ou financeira. É um partido desagregador.

(Internet – Instituto Endireita Brasil)


BRASIL: PAÍS DA BRINCADEIRA

Se você for com seus filhos, noras, genros e netos almoçar fora no domingo e tomar 1 ou 2 chopes, ou 1 ou 2 copos de cerveja no almoço e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e vai preso.

Se você comer 1, 2 ou 3 bombons, tomar remédio para a tosse ou tomar homeopatia e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e vai preso.

Se você roubar, assaltar, estuprar, atropelar ou matar alguém, com um bom advogado, o máximo que vai acontecer é você esperar o julgamento em liberdade ou se for condenado ir para o regime semi-aberto.

Já se você roubar milhões de reais do povo ou dos cofres públicos, várias coisas podem acontecer: vai passar 15 dias num resort na Bahia em companhia da amante; vai ser empossado deputado federal; vai ser eleito presidente do Senado; vai se eleger deputado ou senador; vai ser nomeado ministro ou para um alto cargo no Governo; ou até mesmo ser eleito presidente da República.

Ah! Um detalhe. Se você tiver menos de 18 anos completos, aí se você roubar, assaltar, estuprar até matar, que não tem problema, você não pode ser preso porque é menor. Só não pode comer bombom, tomar xarope prá tosse ou tomar homeopatia, porque aí, se você for parado numa blitz você vai preso.

Parece piada, mas não é. Este é o Brasil, o país da Corrupção, da Impunidade e da Incoerência… Da brincadeira.

E viva os nossos deputados, os nossos senadores e os nossos governantes e principalmente o povo capacho que aceita tudo calado, não se revolta e ainda vota neles.

Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia (Sheakespeare, em Hamlet)

A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la (Eduardo Galeano).

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certeza (Bukowski).

Um abraço.

Além de tudo isso, lamentavelmente, segundo dados estatísticos do IBGE/MEC há no Brasil, 110 milhões de eleitores, adultos maiores de 25 anos, que não concluíram o primário. Esperar o que, em quem votam? Brasil: País da brincadeira.

(Facebook – Autor desconhecido)


ESTÁ RECLAMANDO DE QUE ?

A mudança deve começar dentro de nós.

Tá Reclamando do Lula? Do Serra? Da Dilma? Do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? doDelubio? Da Roseanne Sarney? Dos políticos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso?

O Brasileiro é assim:
1 – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. – Troca o voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. – Fala no celular enquanto dirige.
6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. – Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.
8. – Viola a lei do silêncio.
9. – Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. – Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
11. – Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. – Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
13. – Faz “gato” de luz, de água e de tv a cabo.
14. – Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. – Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. – Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17. – Quando viaja a serviço pela empresa, o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. – Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
22. – Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. – Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sempagar passagem.
24. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. – Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis…. Como se isso não fosse roubo.
27. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
28. – Falsifica tudo, tudo mesmo… Só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
29. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. – Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos…
Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas…
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa ideia!
“Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos…”
A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes, NOSSOS PRINCÍPIOS…

(Por E-mail – Internet – Ad.)


BISCO CATÓLICO CONSTRANGE SENADO FEDERAL

Bispo recusa comenda e impõe constrangimento ao Senado Federal. Num plenário esvaziado, apenas com alguns parlamentares, parentes e amigos do homenageado, o bispo cearense de Limoeiro do Norte, Dom Manuel Edmilson Cruz, impôs um espetacular constrangimento ao Senado Federal, ontem.

Dom Manuel chegou a receber a placa de referência da Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara das mãos do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE). Mas, ao discursar, ele recusou a homenagem em protesto ao reajuste de 61,8% concedido pelos próprios deputados e senadores aos seus salários. “A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la”.

O público ali presente escutou tudo meio atordoado e aplaudiu a decisão. O bispo destacou que a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar filas nos hospitais da rede pública, contrasta com a confortável situação salarial dos parlamentares. E acrescentou que o aumento “é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte. Fere a dignidade do povo brasileiro que com o suor de seu rosto santifica o trabalho diário.
Parabéns Dom Manuel!!!

Apesar de acontecido em Dezembro de 2010 o fato merece sempre relevância.

(Internet – Facebook – http://www.youtube.com/watch?v=ZNuFlHAWwxo)


TEREZA X RENAN

Trechos da carta aberta de Tereza Collor ao Senador Renan Calheiros

Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra – Rio de Janeiro.

“Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz”. As vacas de Renan dão cria 24 h, por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 – que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar – você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.


Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a digladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palácios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; “Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei.”

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento De vencedor.

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: “A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível.” Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: “Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!”

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José
Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um Office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal? No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blindá-lo.

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!

Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. Os alagoanos agradecem.

(Thereza Collor / Enviado via iPad / Facebook – (Link:http://www.resumonline.com.br/noticia.php?id=1957)


COMEÇANDO PELO COMEÇO

O Coelho Branco pôs os óculos. “Por onde devo começar, por favor, Majestade?” perguntou. “Comece pelo começo,” disse o Rei gravemente, “e prossiga até chegar ao fim; então pare.”‘ (Alice no País das Maravilhas de Charles Lutwidge Dodgson, publicada a 4 de julho de 1865 sob o pseudônimo de Lewis Carroll).

No exemplo de A Arte da guerra, Sun Tzu quis nos dizer, que a garantia de não sermos derrotados está em nossas próprias mãos, porém a oportunidade de derrotar o inimigo é fornecida pelo próprio inimigo. Na política partidária é a mesma coisa.

Assim, dizemos que para fazer um plano de guerra, começamos pelo plano de paz. Uma militância estratégica, um bom combate, deve começar pelo começo, pois, segundo Platão, o começo é a parte mais importante de um trabalho.

Começamos estudando todos os ambientes favoráveis e contra, fazendo uma lista de todos os nossos amigos, desde o tempo da escola. Buscando lembrar aqueles que em momentos difíceis estiveram ao nosso lado. Colocando aí, as pessoas que nos dão uma merecida e principalmente destacada atenção.

Numa segunda lista, os nomes dos nossos adversários. Aqueles com os quais já tivemos conflitos, atritos, ou que estão ligados aos nossos prováveis adversários, quer seja comercial ou político.

Ainda numa terceira lista, as pessoas que até então, não temos certa aproximação, que temos dúvidas que possam ficar do nosso lado e naturalmente aquelas que nos parecem simpatizantes e que podem servir de ponte para eventuais estratégias, por ainda se apresentarem como neutros.

A PAZ VAI COMEÇAR

Nas duas primeiras listagens, teremos frente à frente, como numa batalha, os homens que vão se enfrentar. Uma vez que “o verdadeiro objetivo da guerra é a paz”, a oportunidade é privilegiada, para convidarmos as pessoas da terceira lista, como mensageiro das nossas mensagens de amor e paz, buscando interagir com nossos adversários, no terreno da diplomacia, no caminho da concórdia, que pela tradição dificilmente frutificará, mas que nos dará a vantagem de termos sido bem intencionados e colocarmos os que tínhamos dúvidas, possivelmente do nosso lado.

O político em campanha, como na sua vida diária, deve ser impecável no comportamento, generoso nas ações, cuidadoso no tratamento, mas não pode se esquecer de alguns conselhos militares daquele livro secular: “Quando capaz de atacar, deve parecer incapaz; se está perto, fazer parecer que está longe; se seu adversário é de temperamento nervoso, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante; se suas forças estão unidas, separe-as; simule desorganização, e ataque-o onde ele se mostra despreparado”.

Aproveitamos para acrescentar que busquemos ser maleáveis, bondosos, românticos, práticos e sinuosos como o correr da água entre as pedras.

ÁGUA QUE FLUI ENTRO OBSTÁCULOS

No manual do Guerreiro da Luz, de Paulo Coelho, “um guerreiro nunca esquece a gratidão; ele mergulha sem hesitar no rio de paixões que sempre corre por sua vida; usando também a energia do seu adversário; nunca trapaceia, mas sabe distrair seu adversário; faz seu inimigo acreditar que não conseguirá grandes resultados se decidir atacá-lo, diminuindo assim seu entusiasmo”;

“Sempre se pergunta até que ponto desenvolveu sua habilidade; lembra sempre que a perseverança é favorável; conhece seus defeitos, mas sabe também das suas qualidades; estuda com muito cuidado a posição que deseja conquistar; nunca adia suas decisões; divide seu mundo com as pessoas que ama”;

“Quando sofre uma injustiça, busca o isolamento, para não mostrar sua dor aos outros; geralmente se comporta como água que flui por entre os obstáculos que encontra; quer ter a liberdade para mudar de idéia; conhece o silencio que antecipa o combate importante”- nos encanta e aconselha Paulo Coelho.

Neste campo da estratégia e das táticas, tem-se de obedecer a estudos conscientes de todo campo de batalha, o desejo da luta, a impressão da derrota, a certeza da vitória, a perseguição da paz.

(Trecho do capítulo A Força Jovem, do livro não escrito O Sucesso – Reflexões Políticas -, escrito por Roberto Lopes em 2003).


A ATRAÇÃO DO CARISMA

Segundo os dicionários, a atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, chama-se carisma. O líder geralmente é uma pessoa carregada de força divina, e como tal é conhecido ou é chamado de carismático.

Na admiração por pessoas carismáticas, a pesquisadora americana e autora do livro “Os Novos Segredos do Carisma”, Doe Lang, reuniu na revista Veja, uma série de expressões associadas à palavra carisma, como sejam: Sedução, mágica, originalidade, atração, charme, dinamismo, presença, magnetismo, confiança, vitalidade, persuasão.

Definiu ela uma pessoa de carisma como um ser humano irresistível, adorável, inimitável, iluminado, inspirador, com poder de derreter corações; Ser uma pessoa a quem tudo se perdoa e a quem se tem um desejo enorme de agradar e seguir; Com quem se deseja estar o maior tempo possível, pessoa ao lado de quem nos sentimos mais fortes… e por aí vai!

Os americanos, grandes especialistas em pesquisas, sempre relacionaram o termo carisma com o de político. E não poderia deixar de ser. Um político carismático sempre é diferente de um político qualquer.

A diferença maior, entretanto, é que está superada a noção de que as pessoas ou nascem com carisma ou nunca vão tê-lo. Muitos autores sustentam que é possível a qualquer um desenvolver traços de carisma suficientes para ter uma vida pessoal e profissional mais satisfatória.

Dizem eles, que o desafio é mais complexo do que um tímido falar em público, mas que os relatos de sucesso são animadores. Apontam três sugestões elaboradas por psicólogos e estudiosos.

Para começar, a primeira impressão é a que fica. Nunca se tem uma segunda chance de causar a primeira impressão. Então, buscar se vestir melhor, movimentar-se com mais harmonia e falar de uma maneira educada e gentil, são os primeiros aprendizados para ser carismático.

Depois, é falar com segurança, com firmeza, transmitindo a confiança que será sempre bom ouvi-lo. Buscar cursos de fala e postura, para dominar a ansiedade, como veremos no capítulo A Arte de Falar em Público. E saber ouvir. Sempre se diz que temos dois ouvidos e uma boca, justamente para ouvirmos mais. Quem sabe ouvir faz os demais se sentirem valorizados e importantes, torna-se, como já foi dito, uma pessoa lúcida, carismática.

Os pesquisadores descobriram ainda, que os presidentes americanos, mais carismáticos usavam com freqüência as seguintes palavras em seus discursos, consideradas como projetadores de imagens: raiz, coração, crescer, jornada, fronteira, caminho, clamor, doçura, tranqüilidade, sonho e imaginação. Os menos carismáticos usavam mais palavras conceituais, como: ajuda, comprometimento, produção, alternativa, idéia, pensar, considerar, entender e requisitar (Vj).

(Trecho do capítulo Liderança na resolução de conflitos, do livro não publicado O Sucesso, Reflexões Políticas, escrito por Roberto Lopes em 2003).


A TRAIÇÃO DO PT

Dizia um velho e caro amigo que a corrupção é igual à graxa das engrenagens: nas doses medidas põe o engenho a funcionar, quando é demais o emperra de vez. Falava com algum cinismo e muita ironia. Está claro que a corrupção é inaceitável in limine, mas, em matéria, no Brasil passamos da conta.

Permito-me outra comparação. A corrupção à brasileira é como o solo de Roma: basta cavar um pouco e descobrimos ruínas. No caso de Roma, antigos, gloriosos testemunhos de uma grande civilização. Infelizmente, o terreno da política nativa esconde outro gênero de ruínas, mostra as entranhas de uma forma de patrimonialismo elevado à enésima potência.

A deliberada confusão entre público e privado vem de longe na terra da casa-grande e da senzala e é doloroso verificar que, se o País cresce, o equívoco fatal se acentua. A corrupção cresce com ele. Mais doloroso ainda é que as provas da contaminação até os escalões inferiores da administração governamental confirmem o triste destino do PT. No poder, porta-se como os demais, nos quais a mazela é implacável tradição.

Assisti ao nascimento do Partido dos Trabalhadores ainda à sombra da ditadura. Vinha de uma ideia de Luiz Inácio da Silva, dito Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo até ser alvejado por uma chamada lei de segurança nacional. A segurança da casa-grande, obviamente.

Era o PT uma agremiação de nítida ideo­logia esquerdista. O tempo sugeriu retoques à plataforma inicial e a perspectiva do poder, enfim ao alcance, propôs cautelas e resguardos plausíveis. Mantinha-se, porém, a lisura dos comportamentos, a limpidez das ações. E isso tudo configurava um partido autêntico, ao contrário dos nossos habituais clubes recreativos.

O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram. Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.

Tempo perdido deitar esperança em relação a alguma mudança positiva em relação ao principal aliado da base governista, o PMDB de Michel Temer e José Sarney. E mesmo ao PDT de Miro Teixeira, o homem da Globo, a qual sempre há de ter um representante no governo, ou nas cercanias. Quanto ao PT, seria preciso recuperar a fé e os ideais perdidos.

Cabe dizer aqui que nunca me filiei ao PT como, de resto, a partido algum. Outro excelente amigo me define como anarcossocialista. De minha parte, considero-me combatente da igualdade, influenciado pelas lições de Antonio Gramsci, donde “meu ceticismo na inteligência e meu otimismo na ação”. Na minha visão, um partido de esquerda adequado ao presente, nosso e do mundo, seria de infinda serventia para este País, e não ouso afirmar social-democrático para que não pensem tucano.

O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?

Há heróis indiscutíveis na trajetória da esquerda brasileira, poucos, a bem da sacrossanta verdade factual. No mais, há inúmeros fanfarrões exibicionistas, arrivistas hipócritas e radical-chiques enfatuados. Nem todos pareceram assim de saída, alguns enganaram crédulos e nem tanto. Na hora azada, mostraram a que vieram. E se prestaram a figurar no deprimente espetáculo que o PT proporciona hoje, igualado aos herdeiros traidores do partido do doutor Ulysses, ou do partido do engenheiro Leonel Brizola, ­obrigados, certamente, a não descansar em paz.

Seria preciso pôr ordem nesta orgia, como recomendaria o Marquês de Sade, sem descurar do fato que algo de sadomasoquista vibra no espetáculo. Não basta mandar para casa este ou aquele funcionário subalterno. Outros hão de ser o rigor, a determinação, a severidade. Para deixar, inclusive, de oferecer de graça munição tão preciosa aos predadores da casa-grande.

(Mino Carta – Redator da Revistas carta Capital – Internet – por E-mail).


OS VÍCIOS DO CLIENTELISMO

O comportamento do político se assemelha demais com as peripécias de Pedro Malasartes, herói de histórias populares da península Ibérica (relativo à Espanha). Pedro Malasartes, nas literaturas de cordel, representava o aventureiro cínico, astucioso, inesgotável em artimanhas.

Embora herói sem caráter, ao contrário dos políticos, seus logros se exerciam sobre os avarentos, orgulhosos, ricos e vaidosos. Enquanto os políticos exercem seus maltratos justamente contra o povo pobre e sofrido.

Dizia o Diplomata Gilberto Amado, primo do escritor baiano Jorge Amado, e que encerrou sua carreira política na revolução de 1930, que uma coisa é eleição, outra é representação. E que na eleição, o eleitor é quem decide em quem votar, mas no exercício do poder, o eleito é que decide a quem representar.

Exatamente como esse exemplo amado, o político quando governante prefere ficar do lado do mais forte e abandona o povo fraco e sofrido. Pouco defendendo os interesses dessa classe, mas fiel no cumprimento dos interesses dos ricos.

Num exemplo prático desse fato, nos conta o escritor Paulo Coelho, que um ancião índio, norte americano, certa vez descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira: – “Dentro de mim, há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando”. – Quando lhe perguntaram qual o cachorro ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu: “Aquele que eu alimento mais frequentemente”.

PUXASSAQUISMO

O Jornalista Orlando Brito, fotógrafo dos nove últimos presidentes do Brasil, nos fala sobre essa despersonalização: “Eles, os presidentes, passam anos cercados por gente servil, com um sorriso automático nos lábios quando chegam perto deles, e aos poucos vão desaparecendo as coisas simples, como carregar um neto no colo ou tomar um táxi”.

(Trecho do capítulo Clientelismo nunca mais, do livro não publicado O Sucesso – Reflexões Políticas – escrito por Roberto \Lopes em 2003).


O BOM COMBATE

“Quanto a mim, meu sangue está para ser derramado em libação, e chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta à coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente para mim, mas para todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação”. Na Bíblia, em Timóteo 4, encontramos a eloquente definição acima do Bom Combate.

Durante a campanha da recente eleição presidencial, o Deputado Federal baiano Walter Pinheiro, distribuiu folhetos exaltando mensagem bíblica em favor daqueles que não podem se defender, protegendo os direitos de todos os desamparados. Falando com eles e sendo um juiz justo. Protegendo os direitos dos pobres e necessitados, como está escrito nos Provérbios 31:8-9 (Bb).

Ousando mais em dizer sobre Salmos 85:11, de que a fidelidade e a verdade se encontram, onde a paz e a justiça se abraçam, A verdade germina na terra, enquanto a justiça se inclina do céu.

O Bispo de Jales em São Paulo, Dom Demétrio Valentini, nos pergunta que o Brasil é o país do carnaval, mas de que carnaval? Aquele que aponta para frente ou aquele que termina na melancolia das cinzas?

Responde ele, que padecemos da síndrome do carnaval mal acabado. De que não conseguimos passar da fantasia para a realidade, da promessa para o cumprimento, da ilusão para a verdade.

Que conseguimos talvez eleger um presidente dos nossos sonhos, mas somos incapazes de levar adiante o embate verdadeiro das transformações profundas que é preciso efetuar na sociedade brasileira, para sacudir o peso das opressões seculares e realizar a utopia de um país justo e fraterno.

Finaliza, de que não precisamos de guerras. E que há tantas causas que necessitam do nosso empenho, convocando todos para este bom combate (At).

PLANO DE PAZ

Em vez de Plano de Guerra, como geralmente se planejam os combates, chamaremos o nosso, de Plano de Paz, propositadamente, buscando receber as benesses da tranquilidade, serenidade e união, neste nosso planejamento político.

Se durante uma guerra se planeja a paz, porque na paz, tem de se planejar a guerra? Não é uma imbecilidade? Na paz continua-se a planejar a paz.

“Lutar e vencer em todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar!”

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.

As duas preciosidades de manifestações acima, nos dois últimos parágrafos, são do o livro A Arte da Guerra do filósofo e general chinês Sun Tzu, escrito no século V a.C., portanto, há 25 séculos.

Nosso filho, Geraldo Walter, publicitário, quando acabara de ler de uma sentada as 289 páginas de Casos & Coisas de Duda Mendonça, o marketeiro responsável pela vitória de Lula à presidência, apressa-se a nos telefonar entusiasmado: “Meu pai, tudo que Duda Mendonça, escreve no livro, é igual às coisas que o senhor sempre me diz e muitas delas o senhor já fez em campanha política”.

É que Duda recomenda no livro que a forma como se diz as coisas é mais importante que o conteúdo, o que sempre buscamos fazer para sensibilizar o eleitorado. Outro fato que nos tranquiliza, é que Duda escreve, que se o candidato não aceita o que ele determina, ele abandona a campanha. Exatamente o que fazemos, embora ele nacionalmente não seja chamado de covarde, como na nossa terra alguns emergentes intelectuais e financeiros nos apedrejam. Coisa de provinciano.

Outro Geraldo Walter (Geraldão), saudoso Procurador do Estado da Bahia e que era pai de outro Geraldo Walter (o publicitário baiano que fez a campanha vitoriosa de Fernando Henrique – FHC – para presidência, e que morreu em idade tão jovem), anunciava abertamente no circuito da nossa amizade, que o nome do nosso filho foi escolhido numa homenagem à sua pessoa. Nada disso. Foi um pedido de nossa mãe, que convalescendo de uma cirurgia oftalmológica no Hospital São Geraldo de Belo Horizonte, pediu-nos esse préstimo.

Fazemos esta observação, pois o Geraldão, como professor, como magistrado, sempre dizia que devemos ser pragmáticos, no sentido absoluto de sermos práticos, realistas, objetivos, esclarecidos, determinados.

Nunca esse pragmatismo cínico, desenvolvido pelos políticos. Que prometem hoje, para negar amanhã. Dizem uma coisa hoje, para desdizerem amanhã. Semelhantes às bravatas do PT na última campanha presidencial. Hoje, o pragmatismo fez Lula, Dirceu e Pallocci, redizerem tudo que disseram, e condenar aqueles que seguem fiéis ao discurso antigo, como radicais.

(Trecho do capítulo O Bom Combate do livro O Sucesso – Reflexões políticas -, escrito por Roberto Lopes em 2003 – O capítulo está na terceira pessoa em atenção à equipe de trabalho de então).


CARTA ABERTA AOS VEREADORES DE C. DO COITÉ!

Está escrito no Art. 1º da Constituição Federal de nosso país, no parágrafo único, “que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou indiretamente”. Também, na Constituição, está escrito que, Art. 30, compete aos municípios: “I – legislar sobre assuntos de interesse local”. Ainda na Constituição, e isso é que me dá fundamentos para o que eu venho propor, está escrito que“qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”, isso escrito está no Art. 5º, LXXIII.

Feita todas essas apresentações acima, venho dizer que, com base nela, nossa carta magna, a Constituição Brasileira, vou, a partir de Janeiro 2013, começar uma campanha de recolhimento de assinaturas do povo solicitando que os vereadores votem em favor da redução de seus próprios salários.

Em uma conta bem rápida, bem simples e bem dinâmica percebemos o tamanho da incoerência de um vereador ganhar, em Coité, 8 mil reais: Cada um ganhará R$ 3 mil reais acima do que ganhava esse ano, isso é – arredondando – ganhava R$ 4,9 mil por mês e, agora, passará a ganhar 8 mil. Com esse aumento de quase R$ 3 mil reais no salário do vereador o município terá um aumento de despesa no valor de R$ 45 mil reais (isso sem contar os mais variados valores que são inseridos ao salário!!).

Fato: esse valor salarial, pra uma pessoa em Coité, um vereador, é uma coisa obscena. Vereador não é profissão e nenhum vereador, honesto, que valha a pena ser respeitado, faz do cargo de vereador uma oportunidade de fazer riqueza na vida. Tantos professores, formados, pós-graduados, na cidade e não recebem esse salário. Tantos pequenos empresários que não recebem. A esmagadora maioria dos eleitores de Coité recebem muito longe de R$ 8 mil reais, e, às vezes, trabalham muito mais do que 10 horas por dia.

Sendo assim, se o vereador exerce uma função de representante do povo, ele deve ouvir o povo. Eu vos garanto que conseguiremos uma grande quantidade de assinaturas a favor de que vocês reduzam os seus próprios salários e, se assim não fizerem, ficará provado que a Constituição não passa de uma carta poética – e mentirosa -, pois se a maioria do povo exige que a câmara de vereadores repense uma decisão, que desagrada ao povo, e não é ouvida então alguma coisa está estranha nessa tal democracia representativa.

Vamos conseguir as assinaturas, vamos fazer passeatas na rua, vamos fazer cartazes, vamos usar as redes sociais e o vereador que se opor à vontade do povo será considerado inimigo do povo.

Repito: vereador em Conceição do Coité ganhar R$ 8 mil reais por mês é uma coisa obscena, ridícula, fora de noção, extremamente contrária à realidade da cidade e ao bom senso.

A Bíblia diz que “digno é o obreiro de seu salário” (Lucas 10:7), então entendemos que R$ 8 mil reais não é uma coisa digna, uma vez que devemos levar em conta a real realidade da cidade, onde, segundo o IBGE, mais de 30 mil pessoas vivem com salário mínimo.

Conto com vocês vereadores, para que sejam sensatos e reduzam os seus salários, pois R$ 45 mil reais poderá se investido na secretária da juventude, por exemplo. R$ 45 mil para o povo de Coité e não para o bolso de vereadores, alguns que, não sejamos hipócritas, só visam o dinheiro e as facilidades que ser vereador proporciona.

E, sim, iremos às ruas!

Cordialmente,

(Wagner Francesco – Teólogo e estudante de Direito – No facebook)


MARIGHELLA – O QUE É UM HERÓI ?

Há várias definições no dicionário Houaiss nas quais nosso personagem se encaixaria. Mas arrisco minha própria definição: herói é alguém que está fora da curva; “feito de outro barro”, como disse um dia um índio do Oiapoque.

Eu desconfiava: [...]

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho ímpar.

(Carlos Drummond de Andrade, Igual-desigual, A Paixão Medida)

Essa semana, assisti ao filme “Marighella”, um documentário cuidadoso com os dados históricos e plasticamente belo, produzido e dirigido por Isa Grinspun Ferraz, sobrinha daquele que é o personagem central da trama, Carlos Marighella. O filme é instigante, faz pensar no passado, no presente, em ideais, sonhos de um país (de um mundo) diferente, em pessoas ímpares, tantas coisas que um texto só é insuficiente para esgotar tudo, por isso, vou tentar me concentrar no tema do herói.

Sendo filha de combatentes da ALN (Ação Libertadora Nacional), cresci ouvindo falar de Marighella, de como enfrentou duas ditaduras; de como queria acabar com as desigualdades sociais; de como sabia liderar outros que tinham o mesmo desejo que o seu; de como era corajoso, forte, envolvente e poeta. Não por acaso tenho um irmão que se chama Carlos, em sua homenagem. Ele sempre fez parte do panteão de heróis da minha família, que inclui, na ordem de primeira grandeza: Che Guevara e Camilo Cienfuegos, este também homenageado como segundo nome do meu irmão Carlos. Marighella é para nós uma espécie de herói particular.

Fui ao cinema acompanhada de uma amiga, Carmen, para quem Carlos Marighella era pouco conhecido, tendo-lhe sido apresentado apenas na graduação em ciências sociais. A conversa depois do filme deixou claro que meu herói só era de foro privado por falta de espaço público. Carmen me disse, pegando o gancho nas falas da película: “ele é como Tiradentes, é um mártir, dos tempos recentes, mas ainda desconhecido”. Fiquei pensando no ainda, em quanto tempo AINDA levaria para que ele fosse estudado nas escolas como um herói nacional, desconfio (ou espero) que a mobilização em torno da Comissão da Verdade e da abertura dos arquivos da ditadura possa acelerar este processo, revelando também os vilões da história. Mas aqui quero introduzir a questão que dá título a este texto: o que é um herói? Há várias definições no dicionário Houaiss nas quais nosso personagem se encaixaria. Mas arrisco minha própria definição: herói é alguém que está fora da curva; “feito de outro barro”, como disse um dia um índio do Oiapoque; capaz de inspirar os outros e de ouvi-los; corajoso, altruísta; que consegue enxergar à frente de seu tempo; alguém que não nega as contradições próprias do ser humano (inclusive as suas).

Mais ainda, um herói não é um santo. E Marighella não o era, mantendo-se sempre radical em sua forma de pensar e agir. Isso aparece no filme em diferentes situações, como na fala de Antônio Cândido contando como fora atacado pela revista Fundamentos, dirigida por Marighella, com o epiteto “Trotskista” que, como ele explica, na época era usado como um terrível xingamento e não como uma vertente do comunismo oposta ao stalinismo. E, sobretudo na atuação direta do líder como guerrilheiro, seja assumindo a ação do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, mesmo discordando de sua função estratégica, ou nas chamadas “expropriações das riquezas dos grandes capitalistas” (como assaltos a bancos e ao trem pagador). Seu radicalismo não era, contudo, de um dogmatismo empedernido, pois, se assim não fosse, ele não teria abandonado o stalinismo após saber dos crimes de Stálin. Manteve-se sempre comunista, mas a revolução que aspirava era construída a partir da realidade brasileira e não da importação de modelos outros.

Parafraseando Cazuza, eu diria que meus heróis não “morreram de overdose”, morreram torturados, exterminados, aniquilados pelas forças do Estado e “meus inimigos [ainda] estão no poder”. Fato incrível, porque hoje no poder está sentada uma ex-guerrilheira. No entanto, ela está cercada pelas mesmas figuras retrógradas de antanho e fazendo um governo que permite o massacre de lideranças populares e indígenas, que, em nome de um duvidoso e antiquado modelo de desenvolvimento, sacrifica o meio ambiente e, com isso, o presente das populações locais e o futuro das novas gerações. O que entristece e decepciona é ver que este governo não incomoda a quem deveria incomodar, é apenas uma reedição moderna do que vem sendo feito há séculos no país, a diferença é que agora sobram algumas migalhas a mais aos mais pobres. Definitivamente, a presidenta não se enquadra na minha definição de herói.

Contudo, da geração que sonhou e lutou junto com Marighella há ainda muitos vivos, alguns deles presentes no filme e tão personagens deste quanto Marighella. Estes homens e mulheres continuam agindo para mudar o mundo tão injusto em que vivemos, atuando em várias frentes, como: no apoio às mães dos mortos injustamente nas periferias das metrópoles brasileiras; denunciando uma polícia militar sangrenta; brigando pela abertura dos arquivos da ditadura, a apuração da verdade dos crimes cometidos por esta, o resgate da memória daqueles que foram subjugados pelo Estado e a punição dos torturadores; advogando para movimentos sociais, movimentos estudantis e sindicatos; buscando fazer da educação um instrumento de criatividade e transformação; lutando por um desenvolvimento socioambiental e econômico sustentável; pelas chamadas minorias que vivem nos interiores e sertões do país e na Amazônia (ribeirinhos, parteiras tradicionais, índios, quilombolas); e por um Estado mais transparente e menos corrupto.

Estes são meus heróis, pois acredito que todos precisamos de heróis (até mesmo os mais céticos). A eles dedico este texto.

(Artionka Capiberibe é antropóloga, professora da EFLCH-Unifesp, é autora de Batismo de fogo: os Palikur e o Cristianismo – Ed. Annablume).


CLIENTELISMO NUNCA MAIS

Vemos o mundo como uma balança – o equilíbrio – organizado pela lei da causa e efeito. Se formos mais sedentos, se atropelamos os outros numa ganância infrene de sempre ter mais dinheiro e poder; em outro lugar do mundo, ou até mesmo perto de nós, estamos promovendo o desequilíbrio, a fome, a pobreza, a miséria, que um dia serão também o nosso desequilíbrio de consciência, em conflitos internos que jamais conseguiremos entender ou explicar.

Vemos em nome do povo, pessoas pouco amorosas e destituídas de bom caráter, enricar da noite para o dia, promovendo as aberrações das gigantes desigualdades sociais. Vemos os políticos ficarem cada vez mais ricos enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres. Neste País da Impunidade é um campo fértil para os oportunistas e inescrupulosos.

Vimos políticos mentirem, traírem e normalmente enganarem o povo, negando-lhe o direito básico da educação, para impedi-lo de raciocinar melhor. Nesse campo não evoluímos e não conseguimos exercer essa “normalidade” condenável. Não conseguimos entender, que a política, como a arte de fazer o bem, deva ser a arte de se auto beneficiar.

Um dos maiores defensores da justiça social entre os homens neste País, Dom Hélder Câmara, nos advertiu de que não é suficiente lutar pelos pobres. Devemos dar a eles consciência dos seus direitos. E de que as massas têm de perceber a urgência de se libertarem sozinhas e não serem libertas por alguns idealistas que enfrentam a tortura como os cristãos enfrentavam os leões no Coliseu. E que dois mil anos depois de Cristo, mais de dois terços da humanidade se encontram em condição de miséria e de fome, encerrou o líder religioso.

Definição igualmente apropriada em prol da justiça social nos dá o administrador Stephen Kanitz, quase presença marcante em todos os capítulos deste livro, de que o início da cidadania se dá com cada cidadão reconhecendo as bobagens que cometeu e pagando por elas, em vez de tentar empurrar a responsabilidade, a conta e o prejuízo para o vizinho, o governo ou a próxima geração.

Não existe nada mais vergonhoso para o político, do que tentar enganar o eleitor. E é isso que quase todos, a grande maioria faz. Fazer política é fazer benefício, é doar-se. É tirar um pouco de si, do seu tempo, do seu dinheiro, igualmente o dízimo, para dedica-lo a um ser mais necessitado. É a caridade, como nos ensinou a Igreja Católica.

Erradamente, na política, essa caridade é exercida como uma negociata. O político tapeia o eleitor, dando-lhe alguma coisa em troca do voto. Depois, cuida de si, e dane-se o eleitor, pois para o político o seu voto já foi pago.

O POLÍTICO É NOSSO EMPREGADO

É como se a política, fosse um empreendimento de débito e crédito, onde eu lhe faço um favor em troca de você me fazer outro. Na política, isso é coisa de mau caráter. O político já ganha para ser político e ganha muito bem. Ele é nosso empregado, nós o pagamos, via impostos, para isso.

Não tem nada que dar qualquer coisa ao eleitor, enquanto candidato. Ele tem de dar o seu conhecimento, a sua capacidade, a sua vontade de realizar e transformar, de fazer o bem, pois quando eleito, ele estará ganhando para buscar todos esses benefícios. Suas ações devem ser de solução coletiva e nunca individual, paternal, agradando como se fosse um cliente.

Coincidentemente, o ator negro americano da série cinematográfica “Máquina Mortífera”, Danny Glover, nos diz que a responsabilidade individual deve estar sempre ligada à responsabilidade coletiva.

Não é cansativo repetir, que o político é um empregado nosso, que o pagamos via Governo, para que ele resolva os nossos problemas. Só quando ele é um conjunto de poder que se chama governo, é que ele se transforma tacitamente em nosso sócio, e tem o poder de polícia e de Justiça de nos cobrar o que lhe devemos como sócio, na sociedade imaginária que fizemos, mas nunca tem a mesma reciprocidade em nos pagar, quando eventualmente nos deve.

Assim, nesse sistema de capitalismo selvagem, onde o Ser deixou de ter o seu valor real, superado pela capacidade do Ter em possuir cada vez mais, o político, como classe privilegiada dessa falsa donataria, não tem nenhuma vergonha de fazer o papel inverso de tudo que é ético, e de buscar se esbanjar de facilidades e influências do cargo, para ganhar rios de dinheiro.

A competência administrativa de um governante público se mede pela sua capacidade criativa de resolver problemas sem necessidade de gastar dinheiro. Gastar o dinheiro do Governo que já vem determinado para ser aplicado na educação, saúde e uma infinidade de soluções – é muito fácil. Difícil é poupar esse dinheiro, buscando soluções criativas, benfazejas, solucionadoras das dificuldades.

O ELEITOR É PATRÃO

É preciso deixar bem claro o que é eleitor e o que é cliente. O eleitor, ao contrario do que pensam os políticos é como se fosse uma pessoa sagrada, aquele que lhe elege e em função disso deve merecer todos os cuidados básicos de educação, saúde e segurança.

É o seu condutor, aquele que lhe promove, e como tal, deve estar assegurado das suas condições mínimas aceitáveis de qualidade de vida. Nunca pode haver a situação de dependência, de o eleitor estar subjugado ao político com a subordinação de favores ou recursos outros.

Já o cliente, aparentemente semelhante, tem o poder de credibilidade de comprar o que o comerciante, o médico, o advogado, lhe vende ou lhe oferece, colhendo lucro. Daí o inverso financeiro, a dependência do comerciante para com o cliente, pois, se ele, o cliente, não aparecer, – o negociante, o médico, o advogado, ou quem quer que seja -, termina se quebrando ou não progredindo.

Ninguém melhor que Mahatma Gandhi, o maior pacifista deste planeta, definiu a dimensão do cliente, dizendo que o cliente é o mais importante visitante em nossos domínios. Ele não depende de nós. Nós é que dependemos dele. Ele não é uma interrupção do nosso trabalho. Ele é a razão do mesmo. Ele não é um estranho em nosso negócio. Ele é parte dele. Nós não estamos fazendo um favor para servi-lo. Ele é que nos está favorecendo, dando-nos uma oportunidade de fazer por ele, resumiu Gandhi.

No caso do eleitor é muito maior o comprometimento, pois não é o eleitor que vai ao político, é o político que vai ao eleitor, na busca do seu voto para uma qualificação profissional, onde o político eleito de modo invariável ganha um cargo remunerado, um emprego, pago mensalmente via impostos, pelo eleitor, que se torna consequentemente o seu patrão.

(Trecho do capítulo Clientelismo Nunca Mais, do livro não publicado O Sucesso – Reflexões Políticas -, escrito por Roberto Lopes em 2003. Oportunamente, será publicado o restante do capítulo).


EVITE A PRIMEIRA DOSE

No conjunto das frustrações e limitações humanas, o álcool tem presença de “companheirismo” marcante, em todos aqueles que se deixam vencer pelo vício. Porque, infalivelmente, já ouvimos muito de que primeiro o homem toma a bebida, depois, a bebida toma o homem. Tornando-se assim, seu pior inimigo. Inimigo escolhido e eleito, impiedosamente, como um grande e nebuloso amigo

A maioria dos bebedores inventa a desculpa, a justificativa, de que bebe para resolver um problema. É um grande engano. Não se bebe porque se tem algum problema. Passamos a ter problemas quando bebemos.

Qualquer problema pode ser resolvido sem a bebida (alcoólica). Senão, até a dificuldade passa a existir, porque nós a elegemos como importante.

Com a tal desculpa da bebida, vem um resultado desastroso, universalmente conhecido, de que “álcool, álcool, álcool, para esquecer as amarguras da vida, e sabe Deus, encontrar uma amargura maior”.

Renato Fechini, o “embaixador”, figura folclórica das rádios da belíssima Salvador da Bahia, contava e cantava que bebe para resolver seus problemas, suas angústias, suas dívidas, conseguindo alegrar e agradar o povo da periferia, o povão, que exerce a felicidade de rir muito com suas músicas. Apesar de aspirante a cantor, pela sua voz num tom misto de rouco e meloso, está muito mais para comediante.

Por outro lado, de modo bem racional, descobriram os Alcoólicos Anônimos (AA), o maior e mais prestigiado movimento do voluntariado em defesa e recuperação dos alcoólatras, que tudo começa pela primeira dose. Se você quer parar de beber, o problema é nosso, dizem eles, evite a primeira dose.

Se você quer beber o problema é seu. Na verdade, a primeira dose é o início desastroso de toda vida do alcoólatra. Daí, que eles não fazem metas de longo prazo para não beber, mas de apenas um dia, 24 horas, quando agradecem diariamente não ter bebido a primeira dose, e nisso, alcançam anos e anos, ou não bebem nunca mais. É uma benção!

Sintetizando, muitos poucos, raros, conseguem apenas tomar uma dose. Como regra geral, esta primeira dose, desperta a vontade incontrolável pela bebida que termina na inevitável embriaguez. Repetindo, pode-se considerar como raro, a pessoa que bebe, tomar a primeira dose e permanecer nela. É quase inexistente. Passado, contudo, aquela vontade inicial da primeira dose, coisa de cinco a dez minutos, é como se a pessoa se conformasse e qualquer líquido fosse a bebida desejada e que a satisfaz.

Na seriedade íntima das reuniões do AA, onde sofridos e reais depoimentos e testemunhos de vida são relatados numa sinceridade impressionante, eles exaltam uma oração bem convincente que diz assim: “Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; Coragem para modificar aquelas que posso; e sabedoria para distinguir uma das outras”.

Ainda assim, se você é daqueles que tomam a primeira dose, mais duas ou três, quatro ou cinco, evite a saideira. Porque em função da saideira, vem a bebedeira, a caideira, a chutadeira, a quebradeira, a individadeira, a brigadeira, a perderdeira. Quando não tem: eu não bebo par, eu não bebo impar, vou tomar agora a de Jair.

No conformismo de tão prejudicial vício, no estado das Minas Gerais, maior e melhor produtor de cachaça do Brasil, existe uma oração, que os bons bebedores da amarelinha, a elegem como a melhor, orando empertigados: “Desce água limpa por essa goela abaixo, dá um abraço em meu fígado, dá lembranças a meu baço… se não pode comer toucinho porque é que come torresmo… se você pode beber todas, porque bebe só uma, Amém”.

Pólvora com fogo

Na política, ao contrário da vida social, embora aconteçam, rotineiramente, ocasiões propícias para comemorações e muita bebida, sabiamente, elas não se combinam. O então senador baiano ACM, que também já disse ter sido incendiário e que tornou-se bombeiro, uma vez falou que bebida com política é como pólvora com fogo. Não se unem, explodem!

Dificilmente, porém, poucos políticos numa campanha, conseguem viver longe da bebida. Pois ela, além de promover a desinibição, faz parte do show, deve ser oferecida aos eleitores numa forma de grande congraçamento. Mas nunca, como se faz no interior da Bahia, onde nos comícios são distribuídos, litros de aguardente 51, também chamados de “tubo” ou uma boa idéia.

Na prática, porém, promove o alcoolismo, com dezenas, centenas de eleitores, e até não eleitores, adolescentes, a elevarem o nome do seu candidato, numa festa de grande alegria, mas que durante a campanha, se torna vício, uma barganha, o estímulo ao clientelismo condenável. Determinados eleitores, por exemplo, não vão a comício se não for distribuída bebida. Às vezes, no caso, cachaça, destilada pura, fortíssima, que faz da festa democrática, um excesso condenável.

Na impossibilidade de se evitar essa promoção que prejudica que se torna nociva, o ideal seria que as festas políticas fossem menos carnavalescas, menos Trio Elétrico, menos shows eletrizantes, e mais cultura, mais arte, encenações teatrais, danças típicas, pintura, atletismo, futebol, gincana, desfile de moda e tantas outras ações criativas que também entusiasmam e popularizam o feitor, sem proporcionar seqüelas morais.

Lembremo-nos de uma vez, no início do governo Waldir Pires, na Bahia, quando fomos ao Secretário de Cultural, o compositor Capinam, autor de “Soy Loco Por Ti América”, e apresentamos um projeto cultural para Coité. Quando dissemos que iríamos usá-lo para ganhar a política, ele levantou-se contra, dizendo que não podíamos misturar cultura com política. Saímos cabisbaixos, mas sem sermos convencidos.

No momento da campanha, desenvolvemos com os míseros recursos financeiros que dispúnhamos, todo trabalho cultural planejado. Nada de comícios, bebida, cachaça ou cerveja. Apenas oficinas de artes: pintura, dança, teatro, música e esportes que encantavam as populações dos pequenos povoados. O resultado não foi outro: apesar do tostão contra o milhão, ganhamos a política.

Aí veio a decepção: o prefeito eleito, não entendeu nada do nosso projeto. Embora pessoa humilde de profundo espírito filantrópico, fez tudo ao contrário, já não aceitava opiniões, tentou agradar “gregos e troianos”, e terminou com um fim trágico: suicidou-se!

É aquela mesma história que inevitavelmente se torna repetitiva: o prefeito quando eleito, a vaidade lhe sobe a cabeça e ele passa a desconhecer os amigos. No caso citado, ele não bebia, mas na maioria dos casos os prefeitos bebem e bebem muito. Encontram na bebida a sustentação das suas deficiências e fraquezas. Aí, a bebida passa a ser mais valiosa que os amigos.

Na área municipal pelo interior do país, notadamente nos Estados do Nordeste, não é novidade se encontrar prefeitos embriagados, mesmo no exercício do poder, na prefeitura. No cotidiano desses políticos é comum beber quase todos os dias. Explica-se então, mas não se justifica, que quanto menor a cidade, mais se bebe.

Não é conhecido no Governo do Estado figuras deprimentes de governadores bêbados. Mas critica-se a contumácia de alguns deputados no estado de euforia, tanto na área estadual, quanto na federal.

Na Presidência da República, tivemos o buliçoso e criativo, Jânio Quadros, como um consumidor constante de bebidas alcoólicas. Tanto é que se comenta nos bastidores, que quando ele renunciou à presidência, estava simplesmente alcoolizado.

Na história contemporânea da política internacional, o bêbado de maior apresentação etílica, foi o presidente russo, Boris Yeltsin, que bebia vodca descontroladamente, e com problemas de saúde, foi substituído pelo atual Vladimir Putin.

(Trechos do capítulo A Felicidade Química, do livro não publicado A Crise (Reflexões Políticas) de Roberto Lopes, escrito em 2003. Com início anteriormente já publicado, a continuação será publicada oportunamente).


O ENCANTAMENTO DO ELEITOR

Conta-se uma história, de que um fazendeiro bem sucedido, que ano após ano, ganhava o troféu “Milho Gigante”, na feira de agricultura do município. Não dava outra: ele chegava à exposição com seu milho e saia com a faixa premiada no peito, por seu produto cada vez melhor.

Em uma dessas ocasiões, um repórter ao entrevistá-lo após um prêmio, ficou intrigado com a confissão do fazendeiro, de que partilhava a semente de seu milho – de melhor qualidade – com seus vizinhos.

Por que o senhor compartilha a sua semente de superior qualidade com seus vizinhos, quando todos os anos eles estão competindo com seu produto? – indagou o repórter.

O fazendeiro respondeu: Você não sabe, mas o vento apanha o pólen do milho maduro e o leva de campo em campo. Se meus vizinhos cultivarem milho inferior, a polinização atingirá seguidamente a qualidade do meu milho. Por isso, se eu quiser cultivar milho bom, de qualidade, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivarem milho bom e de qualidade também.

O fazendeiro estava atento à conexão da vida: o milho cultivado só poderia melhorar se o produto do vizinho também tivesse a qualidade melhorada.

Esse exemplo vale para todos, e em diversas dimensões da vida. Quem escolhe estar em paz, deve fazer com que seus vizinhos também estejam em paz.

Quem quer viver bem, deve ajudar os outros para que também vivam bem. E quem quer ser feliz, deve ajudar os outros a encontrar a felicidade. O bem estar de cada um está ligado no bem estar de todos. E que todos consigam ajudar seus vizinhos a cultivarem um milho cada vez melhor!

Causa e Efeito

Mas uma pergunta continua a nos preocupar: como realizar essa conexão da vida, como melhorar a vida daqueles que nos rodeiam, para que a nossa própria vida seja melhorada, se na maioria das vezes recebemos a indiferença ou a ingratidão daqueles que ajudamos, e até mesmo de nossos parentes?

É o que disse o palestrante espírita Divaldo Franco, no capítulo de Convivendo com os Inimigos tem uma citação encorajadora que diz: “o mal que me fazem não me faz mal. O mal que me faz mal é o mal que faço, pois me faz um homem mal”.

Cientes dessa relação de causa e efeito, aprendemos que o bem que fazemos, apaga o mal que por ventura fizemos. Não devemos esperar retribuição da pessoa que ajudamos, pois essa recompensa almejada, típica da nossa cultura religiosa, nem sempre vem da pessoa beneficiada, ela vem na maioria das vezes de pessoas que sequer conhecemos.

Quantas vezes num momento de aflição, numa cidade estranha, um pneu furado, uma falta momentânea de dinheiro, um problema de saúde, aparece alguém para nos ajudar que sequer conhecemos?

A resposta então para essa conexão da vida, a de melhoria recíproca entre nós e os nossos semelhantes, é uma só: a de fazermos o bem sem olhar a quem, pois atentos à lei da causa e efeito, da forma que semearmos, certamente colheremos.

E a sabedoria popular nos ensina que se semeamos ventos, colhemos tempestade; se semeamos violência, colhemos guerra; se semeamos paz, colhemos tranqüilidade.

Apesar de sermos produto de gerações de ódio, durante séculos e milênios; produto de gerações de vingança, perseguição, traição e maltratos humanos, o sentimento do amor, a emoção do perdão, a ação da solidariedade, são capacidades inerentes ao nosso espírito, e que esperam pacientemente a nossa vontade de exercitá-las, para nos tornarmos mais admirados e felizes.

Os 12 Apóstolos

É fácil compreender, que são três as cores primárias (o verde, o azul e o vermelho), são sete as notas musicais (dó-ré-mi-fá-só-lá-si), são 26 as letras do alfabeto (incluindo k, w e y), e no entanto, todos eles, apesar de numericamente escassos e individualizados, isolados, formam juntos, as imensuráveis combinações de cores, sons, palavras e matéria, que nos conduzem no caminho do esplendor, da concórdia e da felicidade.

Esse infalível exemplo, nos mostra a todo momento, que está no coletivo, no conjunto de ações solidárias, , a solução dos nossos problemas individuais.

O cristianismo, que nesses dois mil anos, venceu com amor concorrentes como o Império Romano, A Renascença, O Marxismo, nos mostra também a toda hora que aquele homem espetacular chamado Jesus Cristo, precisou da união e ajuda de 12 homens para divulgar o seu trabalho de amar o semelhante como amamos a nós mesmos.

(Trecho do capítulo O Encantamento do Eleitor, do livro não publicado O Sucesso – Reflexões Políticas – de Roberto Lopes, escrito em 2003. Oportunamente, a continuação deste capítulo).


DISCURSO DE CANTINFLAS NA ONU

Nunca um discurso foi tão importante para a política coiteense.

Discurso em que o inesquecível Cantinflas, comediante mexicano, pronuncia na Assembléia Geral da ONU no papel do Embaixador Lopez, de um país fictício, República dos Cocos (no filme “Sua Excelencia” de 1967). Tem mais de quarenta anos, mas, sem lhe retirar uma vírgula, poderia ser reproduzido em qualquer fórum politico com absoluta e relevante pertinência. Naquele tempo, uma crítica social continua a ser válida hoje.

Sr. Ministro das Relações Exteriores; Sr. Secretário Geral da Assembléia; Senhores. Representantes; Estimados Colegas; Coube-me, por sorte, ser o último orador. Isso muito me agrada, pois assim os pego cansados.

Não obstante, sei que apesar da insignificância do meu país que não tem poderio militar, nem político, nem econômico, nem muito menos atômico, todos os Senhores esperam com grande interesse minhas palavras já que do meu voto depende o triunfo dos verdes (capitalistas) ou dos vermelhos (socialistas).

Senhores Representantes:

Estamos passando por um momento crucial em que a humanidade se enfrenta ante essa mesma humanidade. Estamos vivendo um momento histórico em que o homem científica e intelectualmente é um gigante, mas moralmente é um pigmeu.

A opinião mundial está tão profundamente dividida em dois grupos aparentemente irreconciliáveis, que ocorre o caso de que um só voto, o voto de um país fraco e pequeno, pode fazer que a balança penda para um ou para o outro lado. Estamos, portanto, numa grande gangorra. Com um lado ocupado pelos Verdes e com o outro ocupado pelos Vermelhos. E agora chego eu, que sou peso pluma, e do lado que me colocar, para lá penderá a balança! Façam-me o favor!

Os Senhores não crêem que é muita responsabilidade para um só cidadão? E porque também não considero justo que a metade da humanidade – seja qual for ela – venha a ser condenada a viver sob um regime politico e econômico que não é do seu agrado, somente porque um frívolo embaixador votou – ou que o tenham feito votar – num sentido ou no outro. E é por isso que não votarei em nenhuma das duas teses. E não votarei em nenhuma das duas teses, por três razões:

Primeira, porque – repito – não seria justo que um só voto de um só representante – que poderia neste momento estar doente do fígado – venha a decidir os destinos de cem nações. Segunda, porque estou convencido de que os procedimentos – repito e sublinho: os procedimentos dos Vermelhos (socialistas) são desastrosos.

E a terceira, porque estou convencido de que os procedimentos dos Verdes (capitalistas) tampouco são os mais bondosos que se possa ter. E se não se calarem imediatamente, não sigo com o discurso e os Senhores ficarão com a curiosidade de saber o que eu tinha para lhes dizer. Insisto que falo de procedimentos e não de idéias e nem de doutrinas.

Para mim todas as idéias são respeitáveis, ainda que sejam “ideiazinhas” ou “ideiazonas” e mesmo que eu não esteja de acordo com elas. O que pensa esse Senhor, ou esse outro Senhor, ou aquele Senhor, ou esse de bigodinho que já não pensa nada porque já está dormindo, nada disso impede que sejamos, todos nós, bons amigos. Todos cremos que nossa maneira de ser, nossa maneira de viver, nossa maneira de pensar e até o nosso modo de andar são os melhores; e esse modelo tratamos de impô-lo aos demais e, se não os aceitam, dizemos que ‘são isso ou são aquilo’ e, imediatamente, entramos em desinteligências.

Os Senhores acham que isso está correto?

Tão fácil seria a vida se ao menos respeitássemos o modo de viver de cada um. Faz cem anos que disse uma das figuras mais humildes, porém mais importantes do nosso continente: ‘ O respeito ao direito alheio é a paz’. É disso que eu gosto! Não que me aplaudam, mas que reconheçam a sinceridade das minhas palavras. Estou de acordo com tudo o que disse o Senhor Representante da Salsichônia com humildade (N.T. Referência a Alemanha); com humildade de pedreiros independentes devemos lutar para derrubar a barreira que nos separa; a barreira da incompreensão; a barreira da mútua desconfiança; a barreira do ódio.

E no dia em que conseguirmos, poderemos dizer que voamos por cima da barreira. Mas não a barreira das idéias, isso não, nunca! No dia em que pensarmos iguais, atuarmos iguais, deixaremos de ser homens para converter-nos em máquinas, em autômatos. Esse é o grave erro dos Vermelhos, o querer impor pela força suas idéias e seu sistema politico e econômico. Falam de liberdades humanas, mas eu lhes pergunto: existem essas liberdades em seus próprios países? Dizem defender os Direitos do Proletariado, mas seus próprios trabalhadores nem sequer possuem o direito fundamental à greve. Falam da cultura universal ao alcance das massas, mas encarceram os seus escritores porque eles se atrevem a dizer verdade. Falam da livre determinação dos povos e, no entanto, há cem anos oprimem uma serie de nações sem permitir-lhes que se dêem uma forma de governo que mais lhes convenham.

Como podemos votar por um sistema que fala de dignidade e, ato continuo, atropela o mais sagrado da dignidade humana, que é a liberdade de consciência, eliminando ou pretendendo eliminar a Deus por decreto?

Não Senhores representantes, eu não posso estar com os Vermelhos ou, melhor dizendo, com sua maneira de atuar. Respeito seu modo de pensar, mas não posso dar meu voto para que seu sistema se implante pela força em todos os países da Terra. Aquele que quiser ser Vermelho que o seja, mas que não pretenda tingir os demais.

Um momento, jovens! Senhores! Por que tão sensíveis? Os senhores não aguentam nada, não? Eu ainda não terminei! Voltem aos seus lugares. Sei que estão acostumados a abandonar essas reuniões quando ouvem algo que não é de seu agrado; mas não terminei.

Voltem aos seus lugares, não sejam precipitados, ainda tenho que dizer algo sobre os Verdes. Os Senhores gostariam de ouvir? Sentem-se! Agora, meus queridos Colegas Verdes. O que disseram os Senhores? – Já votou por nós? Não?

Pois não, jovens. Não votarei por vocês porque vocês também têm muita culpa por tudo que acontece no mundo. Vocês são soberbos como se o mundo fosse só de vocês e que os demais tivessem uma importância apenas relativa. E ainda que falem de paz, de democracia e de coisas muito bonitas, às vezes também pretendem impor sua vontade pela força e pela força do dinheiro. Estou de acordo que devamos lutar pelo bem coletivo e individual; que devamos combater a miséria; que devamos resolver os tremendos problemas de habitação, do vestir e do sustento. Mas não estou de acordo é com a forma que vocês pretendem resolver esses problemas. Vocês também sucumbiram ante o materialismo, esqueceram os mais belos valores do espírito. Pensando somente nos negócios, pouco a pouco foram se convertendo nos credores da humanidade e, por isso, a humanidade lhes vê com desconfiança.

No dia da inauguração desta Assembléia, o Senhor Embaixador da “Ladarônia” disse que o remédio para todos os nossos males estava em ter automóveis, refrigeradores, televisores. E eu me pergunto: para que queremos automóveis se ainda andamos descalços? Para que queremos refrigeradores se não temos alimento para colocar neles? Para que queremos tanques e armamentos se não temos escolas para nossos filhos?

Devemos lutar para que o homem pense na paz, mas não somente impulsionado pelo seu instinto de conservação, se não, e fundamentalmente, pelo dever que tem de superar-se e de fazer do mundo um local de paz e tranqüilidade cada vez mais digno da espécie humana e de seus destinos.

Mas essa aspiração não será possível se não houver abundância para todos; bem-estar comum, felicidade coletiva e justiça social. É verdade que está em suas mãos – dos países poderosos da Terra, Verdes e Vermelhos -, o ajudar a nós, os fracos, mas não com presentes, nem com empréstimos, nem com alianças militares. Ajudem-nos pagando preços mais justos, mais equitativos por nossas matérias-primas; ajudem-nos dividindo conosco seus notáveis avanços na ciência, na tecnologia. Não para fabricar bombas, mas para acabar com a fome e com a miséria.

Ajudem-nos respeitando nossos costumes, nossas crenças, nossa dignidade como seres humanos e nossa personalidade como nações, por pequenos e frágeis que sejamos.

Pratiquem a tolerância e a verdadeira fraternidade, e nós saberemos corresponder-lhes. Mas deixem imediatamente de tratar-nos como simples peões no tabuleiro de xadrez da politica internacional. Reconheçam-nos como o que somos, não somente como clientes ou como ratos de laboratório, mas como seres humanos que sentem, sofrem e choram.

Senhores representantes, existe outra razão a mais porque não posso dar meu voto: faz exatamente vinte e quatro horas que apresentei minha renúncia como Embaixador do meu país. Espero que seja aceita. Consequentemente, não lhes falei como Excelência, mas como um simples cidadão; como um homem livre; como um homem qualquer; mas que, não obstante, crê interpretar ao máximo as aspirações de todos os homens da Terra; as aspirações e os desejos de viver em paz; o desejo de ser livres; o desejo de entregar aos nossos filhos e aos filhos de nossos filhos um mundo melhor; em que reine a boa vontade e a concórdia.

E que fácil seria, Senhores, alcançar esse mundo melhor em que todos os homens brancos, negros, amarelos e pardos, ricos e pobres pudessem viver como irmãos. Se não fôssemos tão cegos, tão obcecados, tão orgulhosos. Se apenas orientássemos nossas vidas pelas sublimes palavras que, faz dois mil anos, disse aquele humilde carpinteiro da Galiléia, descalço, sem fraque nem condecorações:

“Amai-vos, amai-vos uns aos outros”

Mas, lamentavelmente vocês entenderam mal, confundiram os termos. E o que fizeram? E o que fazem?

“Armam-se uns contra os outros!”

Tenho dito!

(Internet – Tradução: José Chirivino Álvares)


VOTO CAMARÃO

Numa reunião daqueles “conselhos tripartite”, com representantes de diversas entidades de classe, num encontro na Ebda estavam presentes: Eu, Evódio Resedá, Oldack Amâncio, Renato do Correio, Eduardo da Ebda, outros que não me recordo, da Igreja Católica, do Poder Municipal – e Urbano – do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

A cada aprovação nossa dos assuntos da reunião, Urbano tentava falar e dizia: “Eu tenho aqui um destaque”. Mas ninguém lhe dava atenção. Ele era um desconhecido. Um ignorado sindicalista. Na terceira ou quarta intervenção, eu me preocupei e disse: “Espera aí gente vamos ouvir o que o rapaz tem a dizer!”

Urbano foi repetindo item por item cada assunto, apresentando os seus “destaques” e fazendo com que nós passássemos a modificar tudo que já havíamos aprovado acrescentando as sugestões de Urbano a quem passei a admirar.

Numa época distante, a política fervia entre “vermelhos” e “azuis”. Chegava à cidade um jovem soteropolitano para gerenciar o Bradesco. Era Luiz Eduardo Politano Beltrão, o qual recentemente veio proferir uma palestra humorística, que deixou a desejar, no Rancho Delícias do Sertão. Esperto e observador, ele entendeu que precisava de paz para comandar a agência e capitar recursos em favor daquela organização financeira.

Inventou no próprio banco um coquetel, com fartura de salgados e bebidas convidando “vermelhos” e “azuis”, para uma invencionada confraternização. Entre as bandeiras do Brasil e da Bahia que decoravam o banco, colocou uma bandeira branca e, com a presença da maioria dos líderes do antagonismo político local, proferiu um discurso dizendo ser “bandeira branca”, da paz e da harmonia. Aumentou os depósitos de Cr$ 40 milhões para Cr$ 120 milhões.

PEDRO COMPRA UM JEGUE, RICO

Hoje um ex-vereador, Pedro Rico, na mocidade, já comeu um pouco daquele pão que o diabo amassou. De origem humilde, trabalhou desde criança na roça ajudando os pais, depois, ainda adolescente, administrou uma pequena fazenda. Foi quando, com persistente economia comprou um jegue. Um bom motivo para seu patrão dispensá-lo sob o argumento de que quem tinha um jegue era rico. Daí Pedro Rico.

Numa Sexta feira, Pedro Rico que era taxista deixou seu carro em revisão numa das muitas oficinas da cidade. Apareceu-lhe uma viagem promissora. Sem carro, aproveitando da grande amizade que nutríamos, pediu-me meu fusca emprestado para ir ali, voltava logo!

Não voltou na meia hora prometida, nem nas duas, nem nas quatro horas seguintes, somente no final da tarde.

Enlouquecido, eu já sabia que ele tinha feito uma viagem á “Santa Mãe das Candeias”, onde, na convicção dos tementes a Deus era uma imagem milagrosa na cidade de Candeias, coração da explosiva descoberta petrolífera na Bahia. Comunidade que recebia levas de romeiros e, onde os petroleiros esbanjavam elevadas somas de dinheiro, em orgias, bacanais e extravagâncias outras. Brigamos feio, mas como bons vivedores, retornamos à paz.

OS INDESEJÁVEIS PARDAIS

Além do calçamento da Rua do Padre, “marca registrada” da sua administração propagandista, o qual dizia ser “base para asfalto”, o Prefeito Antônio Ferreira de Oliveira (1963-1967), nos deixou outro legado indesejável: os pardais.

Criou um enorme viveiro, na semelhança de um mini-zoológico, onde colocou aves e pequenos animais (além dos regionais, cágados, teiús, tatus, preás, galinhas da angola (saqué), alguns animais e aves exóticas), para divertimento das pessoas e crianças. Aí, importou a “praga” dos pardais, pássaro da região paleártica (zoogeografia que se estende pela Europa e Ásia até o Himalaia, e África setentrional até o Saara), e que não se adapta a viver onde não habite o homem. Atualmente se acha disseminado por quase todo o Brasil.

Antônio fez um governo de muita ação e desempenho, exatamente, quando rebentou a quartelada chamada de “revolução”, em 31 de março de 1964. Antônio Ferreira havia apoiado Waldir Pires que perdeu as eleições para governador da Bahia e era esquerdista. Poucos meses depois deu apoio integral a Lomanto Junior, o governador eleito, que diante do movimento militar, ficou inicialmente indeciso e teve canhões e armas militares apontadas para o Palácio do Governo no Campo Grande, em Salvador. Dessa união chegou à energia elétrica pela Coelba.

Um dos fatos mais marcantes em Coité, naquela política de 1962 para governador, foi a entrada de Antônio Ferreira e Waldir Pires, em cima de uma patrol, máquina de terraplenagem que quase ninguém conhecia.

(trecho do livro Retalhos da Vida de Roberto Lopes)


ERA UMA HOMEM QUE …

Faliu no negócio aos 31 anos de idade; Foi derrotado numa eleição para o Legislativo com 32 anos; Faliu outra vez no negócio aos 34 anos; Superou a morte de sua namorada aos 35; Teve um colapso nervoso quando tinha 36 anos; Perdeu uma outra eleição com idade de 38 anos; Perdeu nas eleições para o Congresso aos 43, 46 e 48 anos; E pensam vocês que ele desistiu? Continuem vendo a perseverança desse homem.

Perdeu uma disputa para o Senado com a idade de 55; Fracassou na tentativa de tornar-se vice-presidente aos 56 anos; Perdeu outra disputa senatorial aos 58 anos; Foi eleito presidente dos Estados Unidos da América do Norte, aos 60 anos.

Este homem se chamava Abraham Lincoln. Seria ele Presidente se tivesse visto suas perdas nas eleições como fracassos? Era um homem pobre. Não tinha família rica como tradição. Sua diversão era cortar lenha de machado, mas ainda assim se elegeu presidente do Estados Unidos.

Outros americanos, também filhos de pais humildes, que não nasceram em berço de ouro, se tornaram presidente dos Estados Unidos, a exemplo de: Harry Truman, 1945-1953, que seu pai era negociante de mulas; Dwight Eisenhower, 1953-1961, que seu pai era mecânico de automóveis; Richard Nixon, 1969-1974, seu pai era dono de uma mercearia; Ronald Regan, 1981-1989, seu pai era vendedor de sapatos; Bill Clinton, 1993-1999, seu pai era caixeiro-viajante.


RELATÓRIO DE CONTAS

Para o mesmo encantamento dos leitores, eleitores e dos políticos brasileiros, transcrevemos alguns trechos do Relatório de Contas do Escritor Graciliano Ramos (1892-1953), ao Governo do Estado de Alagoas, quando prefeito do município de Palmeira dos Índios, em 1928, dez anos antes de escrever Vidas Secas, obra prima da nossa literatura. Observem, além do talento literário, o respeito com o bem público.

Início do relatório: “Havia em Palmeira muitos prefeitos: cobradores de impostos, o Comandante do destacamento, os soldados. Cada pedaço do município tinha sua administração particular, com Prefeitos inspetores de quarteirão”;

Iluminação: “Se a iluminação da cidade custou muito, a culpa não é minha: é de quem fez o contrato com a empresa fornecedora de luz, em 1920. Apesar de ser negócio referente à claridade, julgo que assinaram aquilo às escuras. Pagamos até a luz que a lua nos dá”;

Arrecadação: “Eu disse ao Conselho, em relatório, que aqui os contribuintes pagam ao município se querem, quando querem e como querem”;

Limpeza Pública: “Houve lamúrias e reclamações por se haver mexido no cisco preciosamente guardado em fundos de quintais; lamúrias, reclamações e ameaças porque mandei matar algumas centenas de cães vagabundos; lamúrias, reclamações, ameaças, guinchos, berros e coices dos fazendeiros que criavam bichos na praça”;

Obras Públicas: “Transformando o dinheiro do povo em pedra, cal, cimento, sempre procedo melhor que se o distribuísse com os meus parentes, que necessitam, coitados”;

Conclusão: “Não favoreci ninguém. Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. Não me fizeram falta. Há descontentamento. Se a minha estada na Prefeitura dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos. Paz e prosperidade” Graciliano Ramos.

(Transcrito de um programa eleitoral e fazendo parte do livro Reflexões Política – O Sucesso – capítulo: O Encantamento do Eleitor, deste autor).


RECEITA ORÇAMENTÁRIA DE COITÉ – 2010


Art. 2º – A Receita Orçamentária, a preços correntes e conforme a legislação tributária vigente é estimada em R$ 66.263.664,11 ( sessenta e seis milhões, duzentos sessenta e três mil, seiscentos sessenta e quatro reais, onze centavos).

I – Orçamento Fiscal, em R$ 54.303.198,94 ( cinqüenta e quatro milhões, trezentos e três mil, cento noventa e oito reais, noventa e quatro centavos).

II – Orçamento da Seguridade Social, em R$ 11.960.465,17 ( onze milhões, novecentos E sessenta mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e dezessete centavos).

Do Site SE LIGA COITÉ


HONESTIDADE

Roberto Civita, presidente e diretor do Grupo Abril: “è preciso que quem pode se engaje na enorme tarefa de conscientizar a população de que – em última análise – as mudanças somente vão acontecer à medida que aprendermos a eleger candidatos competentes, honestos e comprometidos mais com o bem comum e menos com seus interesses pessoais”.


CONSELHOS DE MAZARINO

Autor do Breviário dos Políticos, livro na linha de O Príncipe, de Maquiavel, ele escreveu: “Não compres nada de um amigo, porque se te custar caro, tu te humilhas; se for barato, ficará no teu pé; “Se duvidas da fidelidade alheia, participa-lhe alguma notícia particular, que não tenha nunca confidenciado a outro qualquer. Se sentires que se divulgou tal notícia, já o tornaste como traidor”;


BATOM

“Falando por metáforas, o presidenmte Lula ameaçou cortar o batom da ministra Dailma Roussef. Concordo com a supressão do batom. Não sou desses que se deixam seduzir por batons, cométicos, cremes, massagens, depilações e outras bárbaras práticas femininas. Fico com o Dourival Caymmi: “Marina já é bonita com o que Deus lhe deu”. E no caso da ministra–chefe da Casa Civil, o batom mancha a sua ficha de guerrilheira, do mesmo modo que, em nós, mancha a camisa e nos denuncia”. (Hélio Pólvora, escritor, membro da Academia de Letras da Bahia).


A CONQUISTA DAS MULHERES

  • 1927 – O Rio Grande do Norte instituiu o voto de mulheres nas eleições do Estado
  • 1928 – Em Lajes (RN), Alzira Soriano se torna a primeira prefeita brasileira, eleita pelo Partido Republicano
  • 1932 – As brasileiras conquistaram o direito ao voto
  • 1933 – Primeira deputada federal, a médica Carlota areira de Queiróz se elege por São Paulo;
  • 1946 – O voto feminino passa a ser obrigatório no Brasil
  • 1979 – Pioneira no Senado, Eunice Michiles (PDS-AM) assume depois da morte do titular, João Bosco de Lima
  • 1982 – A professora Maria Esther Figueiredo Ferraz é a primeira ministra de Estado (Educação)
  • 1994 – No Maranhão, Roseana Sarney se elege governadora e se torna a primeira mulher a comandar um Estado brasileiro
  • 2000 – Ellen Gracie é nomeada para o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país até então só integrada por homens
  • 2010 – Dilma Rousseff se elege a primeira mulher presidente do Brasil. (Revista Época)

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